CONTEXTUALIZAÇÃO
Ao longo dos séculos XV e XVI, Portugal e Espanha formaram grandes impérios comerciais.
Em finais do século XVI, o império Português do Oriente, que era a fonte de maiores lucros para a Coroa portuguesa, entrou em decadência. Nessa mesma época o Império espanhol estava no seu apogeu. Esta situação, acompanhada de uma crise dinástica em Portugal, levou a uma União Ibérica em que os dois reinos tiveram um mesmo rei.
Entretanto, Holandeses, Ingleses e Franceses reclamavam o seu direito a navegar num “maré liberum”, construindo os seus impérios coloniais.
Portugal aposta na exploração económica do Brasil e consegue recuperar a sua economia, baseada sobretudo no açúcar e nos escravos. A Espanha, entretanto, atravessa um período de crise política e económica, o qual foi aproveitado pelos portugueses para restaurarem a independência no 1º de Dezembro de 1640.
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quinta-feira, 2 de setembro de 2010
IMPÉRIO HOLANDÊS: IMPÉRIO INGLÊS: IMPÉRIO FRANCÊS
IMPÉRIO HOLANDÊS, IMPÉRIO INGLÊS E IMPÉRIO FRANCÊS
O império Holandês.Como é que um grupo de revoltosos por motivos religiosos conseguiu criar por alguns anos uma das maiores potências marítimas?
De uma forma resumida: na década de 1560, as províncias do sul (habitualmente chamada de Flandres), viram uma parte importante converter-se ao calvinismo. A repressão espanhola não tardou e muitos dos calvinistas fugiram para as províncias do norte (que se tinham mantido católicas). Expulsando os padres da igreja católica (ao contrário do que sucedera no sul, em que os padres se tinham convertidos em ministros protestantes), sem poder impor à população a nova religião, conseguiram pelo menos apropriar-se do governo das 7 províncias. A província da Holanda começou (com o afluxo de refugiados do sul) a dedicar-se à pirataria, e ao fechar a entrada do rio escalda ao porto de Antuérpia (o grande porto do sul), liquidou o comércio das províncias do sul, tendo Amesterdão no norte substituído Antuérpia. Grupos de mercadores associavam-se (para minimizar as perdas) e começaram a enviar pequenas frotas para o oriente (até então monopólio dos portugueses): apesar de por vezes as perdas incluírem ¾ dos barcos, os lucros chegavam aos 400 %. O dinheiro era em parte investido noutros negócios (como seguro no caso das coisas correrem mal), mas a maior parte era reinvestido em novas frotas. Ao fim de alguns anos, os mercadores começaram a associar-se em companhias que se disputavam (havia uma média uma companhia por província); para evitar as rivalidades, essas companhias fundiram-se, criando a companhia das índias ocidentais, e a companhia das ilhas orientais. Assim formava-se uma forte e rica classe de mercadores com espírito de iniciativa, que contrastava com as monarquias ibéricas, em que a Coroa detinha o monopólio dos comércios mais lucrativos, com pesadas burocracias.
À medida que os anos passando, as 2 companhias deixaram de ter um carácter estritamente comercial, e começaram a conquistar territórios (sobretudo aos portugueses), ocupando parte do Brasil, Angola, etc. A ocupação de territórios exigia a manutenção de guarnições e frotas de defesa ao mesmo tempo que os inimigos europeus aumentavam (e mesmo os indígenas que deixavam de os ver como libertadores para meros novos ocupantes), perdendo boa parte dos seus territórios e da sua parte do comércio. Acabaram por ficar apenas com alguns enclaves nas Antilhas, Suriname, Indonésia, e uma colónia no cabo destinada a ter um curioso destino.
IMPÉRIO BRITÂNICO
Os ingleses lançaram-se à conquista do mundo durante o reinado de Henrique VIII (1509-1547), que promoveu a indústria naval, como forma de expandir o comércio para além das Ilhas Britânicas. Mas as primeiras colónias britânicas só foram fundadas durante o reinado de Isabel I, quando Sir Francis Drake circumnavegou o globo nos anos 1577 a 1580 (Fernão de Magalhães já a tinha realizado em 1522). Em 1579, Drake chegou à Califórnia e proclamou aquela região “colónia da Coroa”, chamando-lhe “Nova Albion” ("Nova Inglaterra"), mas não promoveu a sua ocupação. Humphrey Gilbert chegou à Terra Nova em 1583 e declarou-a colónia inglesa, enquanto Sir Walter Raleigh organizou a colónia da Virginia em 1587, mas ambas estas colónias tiveram pouco tempo de vida e tiveram de ser abandonadas, por falta de comida e encontros hostis com as tribos indígenas do continente Americano.
Foi apenas no século seguinte, durante o reinado de Jaime I da Inglaterra, depois da derrota da Armada Invencível de Espanha, que foi assinado o Tratado de Londres, permitindo o estabelecimento da colónia da Virginia em 1607. Durante os três séculos seguintes, os ingleses expandiram o seu império a praticamente todo o mundo, incluindo grande parte de África, quase toda a América do Norte, a Índia e regiões vizinhas e várias ilhas ao redor do mundo.
Assim, em 1670 já existiam colónias inglesas estáveis na América do Norte (Nova Inglaterra, Virgínia, Carolina) e em Antígua, Barbados, Belize e Jamaica, bem como uma penetração comercial na Índia desde 1600, graças à Companhia das Índias Orientais. Funda desde 1660, em África, entrepostos de captação de escravos para as plantações americanas, apossando-se, no século seguinte em 1787, de inúmeros territórios entre o Rio Gâmbia (encravado no Senegal francês) e a Nigéria, abarcando a famosa Costa do Ouro, o actual Gana. O século XVIII é, deste modo, o período de afirmação e maturação do projecto colonial britânico.
O seu único revés neste período, forte aliás, será a independência dos EUA, em 1776. Esta perda será compensada com o início da colonização da Austrália em 1783 e mais tarde da Nova Zelândia a partir de 1840, para onde envia inicialmente deportados.
A sua armada mantém-se superior às demais com a Batalha de Trafalgar em 1805, impondo uma vez mais uma pesada derrota a um adversário. O domínio de novas colónias é constante nesta altura - Malaca, desde 1795, Ceilão, Trindade e Tobago, em 1802, Malta, Santa Lúcia e Maurícia, em 1815, depois da derrota napoleónica e do seu bloqueio continental.
Singapura é fundada por Thomas Raffles em 1819. No Canadá regista-se o avanço para oeste, abrindo novas frentes de colonização, o mesmo sucedendo na Índia, com a exploração do interior do Decão e de Assam, Bengala, etc.
O século XIX marca o auge do Império Colonial Britânico, cuja expansão económica e humana é favorecida pelo desenvolvimento do capitalismo financeiro e industrial, bem como pela pressão demográfica elevada.
Por outro lado, marca uma nova administração e gestão da realidade colonial. Exemplo disso é o governo directo da Coroa na Índia. Aí, porém, despoletará a primeira grande revolta contra o domínio colonial britânico: a revolta dos sipais, em 1858, que ditará o fim da Companhia das Índias Orientais. Em 1877, a rainha Vitória - num gesto de coesão face às autonomias ou aspirações mais radicais - proclama-se imperatriz da Índia, que compreendia um extenso território entre a fronteira irano-paquistanesa e a Birmânia e entre o Oceano Índico e o Tibete. Na China, estabelecem-se em Xangai. Na África, alimenta-se cada vez mais o sonho de construir um império inglês entre o Cairo, no Egipto, e a Cidade do Cabo, na África do Sul, o que é conseguido depois da Conferência de Berlim (1884-1885), que legitima a anexação de todos os territórios ao longo desse corredor africano (Egipto, Sudão, Quénia, Rodésia, Transvaal, etc.).
Neste último, entre 1899 e 1902, travará a primeira guerra do império, contra os bóers (descendentes de colonos holandeses estabelecidos desde o século XVII na África do Sul), que se tornarão autónomos em 1910 (União Sul-Africana).
Este conflito demonstra o desaparecimento gradual dos últimos obstáculos para a plena soberania das colónias desde o começo da segunda metade do século XIX. Nesse período, é dada autonomia às colónias de maioria de população europeia, como o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia e as regiões da África do Sul (Cabo, Orange, Natal e Transvaal), que ganham um estatuto de domínios (soberania quase total, mas leais à Coroa britânica), respectivamente, em 1867, 1901, 1907 e 1910. Aliás, já só dependiam da metrópole, até essa data, para assuntos externos e de defesa.
Estes domínios participarão ao lado da Inglaterra na Primeira Guerra Mundial, o que origina uma nova organização do império, cada vez mais diminuto devido à independência daqueles domínios de população maioritariamente europeia, embora associados à Inglaterra através da Commonwealth (Estatuto de Westminster, 1931). Irlanda, Canadá e África do Sul aceitam o Estatuto nessa data, fazendo-o mais tarde a Austrália em 1942 e a Nova Zelândia em 1947: perdem assim o vínculo ao Reino Unido, apesar de reconhecerem a soberania simbólica da Coroa britânica.
No resto do império - que o Egipto é a primeira colónia não-branca a abandonar -, de população basicamente autóctone, novas fórmulas de associação política e económica são adoptadas: na Índia, por exemplo, tenta-se aproximar a população da administração, embora com custos elevados. De facto, após a Segunda Guerra Mundial e com o despertar dos nacionalismos, Índia e Paquistão tornam-se independentes e a Irlanda passa a república.
As décadas seguintes serão o cenário histórico da desagregação do império, nomeadamente em África. Actualmente, depois da devolução de Hong Kong, em 1997, à China, o Império Colonial Britânico resume-se a Gibraltar, à Ilha de Man e às ilhas do Canal da Mancha, na Europa, o Território Britânico do Oceano Índico, Pitcairn e dependências no Pacífico, Ilhas Malvinas, Anguilla, Bermudas, Geórgia do Sul, as Ilhas Caimão, Turks e Caicos, Montserrat, Ilhas Virgens Britânicas e Santa Helena e dependências (Tristão da Cunha e Ascensão) no Atlântico.
IMPÉRIO FRANCÊS
Os reis franceses se negaram a aceitar a divisão do mundo entre a Espanha e Portugal, definida, em 1491, pelo Tratado de Tordesilhas. O rei Francisco I financiou as viagens de Jacques Cartier, que explorou o rio São Lourenço, no Canadá (1534-1543). Com as últimas missões de Champlain, o referido território converteu-se mais tarde na Nova França. No século XIV, a França possuía o Canadá, as ilhas Maurício e Reunião, no oceano Índico, e algumas feitorias na Índia. Após o Tratado de Paris, perdeu a Louisiana. O Império francês sofreu as conseqüências das Guerras Anglo-francesas, sobretudo no caso do Canadá e da Índia. Com Napoleão III, a França conquistou a Argélia e o Senegal e anexou a Nova Caledônia (1853) e a Cochinchina (1862-1867). A intervenção no México, em 1864, foi um enorme fracasso.
Francisco I foi rei da França entre 1515 e 1547. Patrocinou as viagens de exploração de Jacques Cartier aos territórios que passariam a constituir o Canadá.
Não obstante, a expansão colonial francesa concretizou-se após a derrota da França frente a Prússia, na guerra de 1870-1871. Em 1881, a França obrigou o rei de Túnis a aceitar um protetorado francês sobre seu território, devido em grande parte ao crescimento do interesse italiano por Túnis. No Marrocos, era questão de tempo para que os franceses impusessem seu predomínio econômico. Na Conferência de Algecíras (1906), o sul do Marrocos foi reconhecido como área de influência francesa e, em 1912, foi estabelecido o protetorado francês.
A África Equatorial foi explorada por Pierre Savorgnan de Brazza, entre 1875 e 1880, e, em 1910, os territórios de possessão francesa foram agrupados sob a denominação de Federação da África Equatorial Francesa. Algo parecido ocorreu na África Ocidental, onde, após a ocupação da Costa Marfim (1883), Guiné (1896), Benín (1892), Senegal e Chade uniram-se a para formar a Federação da África Ocidental, em 1895. Na Indochina, os franceses concentraram seus esforços em Toquim, lugar que queriam converter em zona de acesso para a China. Ali, em 1884, estabeleceram um protetorado e, em 1893, proclamou-se a União Indochina.
A França desenvolveu uma administração e uma cultura tentando estabelecer uma unidade entre as colônias, mas sem chegar a um acordo sobre a relação que estes territórios deveriam manter com a metrópole. A opinião dos partidos políticos franceses de esquerda, contrários ao colonialismo, permitiu o surgimento de uma opinião que exigia mudanças dentro do Império francês.
Com a Constituição de 1946, o Império francês passou a denominar-se União Francesa, o que exprimia a negação não só de independência, mas também de autogoverno.
A rejeição à União Francesa provocou várias guerras. A primeira ocorreu na Indochina. Em 1945, as forças de resistência indochinas, sob as ordens de Ho Chi Minh, proclamaram sua independência da França. Após a derrota de Dien Bien Phu, Pierre Mendès-France negociou os acordos de Genebra, que deram fim à presença francesa na Indochina.
Em novembro de 1954, começou a guerra da Argélia. Na França, vivia-se um clima de declínio e fracasso, que permitiu o retorno de Charles de Gaulle ao poder, sendo ele o negociador da independência da Argélia.
De Gaulle procurou garantir o controle sobre as colônias africanas e, para tanto, criou a Comunidade Francesa (1958). No entanto, os líderes africanos buscavam a independência e negaram-se a integrá-la. Como aconteceu com Túnis, em 1954, e com o Marrocos, em 1958, as colônias francesas da África Negra conquistaram a independência, na década de 1960.
O que ainda existe do antigo Império francês são a Guiana e as ilhas de Guadalupe, Martinica e Reunião.
O império Holandês.Como é que um grupo de revoltosos por motivos religiosos conseguiu criar por alguns anos uma das maiores potências marítimas?
De uma forma resumida: na década de 1560, as províncias do sul (habitualmente chamada de Flandres), viram uma parte importante converter-se ao calvinismo. A repressão espanhola não tardou e muitos dos calvinistas fugiram para as províncias do norte (que se tinham mantido católicas). Expulsando os padres da igreja católica (ao contrário do que sucedera no sul, em que os padres se tinham convertidos em ministros protestantes), sem poder impor à população a nova religião, conseguiram pelo menos apropriar-se do governo das 7 províncias. A província da Holanda começou (com o afluxo de refugiados do sul) a dedicar-se à pirataria, e ao fechar a entrada do rio escalda ao porto de Antuérpia (o grande porto do sul), liquidou o comércio das províncias do sul, tendo Amesterdão no norte substituído Antuérpia. Grupos de mercadores associavam-se (para minimizar as perdas) e começaram a enviar pequenas frotas para o oriente (até então monopólio dos portugueses): apesar de por vezes as perdas incluírem ¾ dos barcos, os lucros chegavam aos 400 %. O dinheiro era em parte investido noutros negócios (como seguro no caso das coisas correrem mal), mas a maior parte era reinvestido em novas frotas. Ao fim de alguns anos, os mercadores começaram a associar-se em companhias que se disputavam (havia uma média uma companhia por província); para evitar as rivalidades, essas companhias fundiram-se, criando a companhia das índias ocidentais, e a companhia das ilhas orientais. Assim formava-se uma forte e rica classe de mercadores com espírito de iniciativa, que contrastava com as monarquias ibéricas, em que a Coroa detinha o monopólio dos comércios mais lucrativos, com pesadas burocracias.
À medida que os anos passando, as 2 companhias deixaram de ter um carácter estritamente comercial, e começaram a conquistar territórios (sobretudo aos portugueses), ocupando parte do Brasil, Angola, etc. A ocupação de territórios exigia a manutenção de guarnições e frotas de defesa ao mesmo tempo que os inimigos europeus aumentavam (e mesmo os indígenas que deixavam de os ver como libertadores para meros novos ocupantes), perdendo boa parte dos seus territórios e da sua parte do comércio. Acabaram por ficar apenas com alguns enclaves nas Antilhas, Suriname, Indonésia, e uma colónia no cabo destinada a ter um curioso destino.
IMPÉRIO BRITÂNICO
Os ingleses lançaram-se à conquista do mundo durante o reinado de Henrique VIII (1509-1547), que promoveu a indústria naval, como forma de expandir o comércio para além das Ilhas Britânicas. Mas as primeiras colónias britânicas só foram fundadas durante o reinado de Isabel I, quando Sir Francis Drake circumnavegou o globo nos anos 1577 a 1580 (Fernão de Magalhães já a tinha realizado em 1522). Em 1579, Drake chegou à Califórnia e proclamou aquela região “colónia da Coroa”, chamando-lhe “Nova Albion” ("Nova Inglaterra"), mas não promoveu a sua ocupação. Humphrey Gilbert chegou à Terra Nova em 1583 e declarou-a colónia inglesa, enquanto Sir Walter Raleigh organizou a colónia da Virginia em 1587, mas ambas estas colónias tiveram pouco tempo de vida e tiveram de ser abandonadas, por falta de comida e encontros hostis com as tribos indígenas do continente Americano.
Foi apenas no século seguinte, durante o reinado de Jaime I da Inglaterra, depois da derrota da Armada Invencível de Espanha, que foi assinado o Tratado de Londres, permitindo o estabelecimento da colónia da Virginia em 1607. Durante os três séculos seguintes, os ingleses expandiram o seu império a praticamente todo o mundo, incluindo grande parte de África, quase toda a América do Norte, a Índia e regiões vizinhas e várias ilhas ao redor do mundo.
Assim, em 1670 já existiam colónias inglesas estáveis na América do Norte (Nova Inglaterra, Virgínia, Carolina) e em Antígua, Barbados, Belize e Jamaica, bem como uma penetração comercial na Índia desde 1600, graças à Companhia das Índias Orientais. Funda desde 1660, em África, entrepostos de captação de escravos para as plantações americanas, apossando-se, no século seguinte em 1787, de inúmeros territórios entre o Rio Gâmbia (encravado no Senegal francês) e a Nigéria, abarcando a famosa Costa do Ouro, o actual Gana. O século XVIII é, deste modo, o período de afirmação e maturação do projecto colonial britânico.
O seu único revés neste período, forte aliás, será a independência dos EUA, em 1776. Esta perda será compensada com o início da colonização da Austrália em 1783 e mais tarde da Nova Zelândia a partir de 1840, para onde envia inicialmente deportados.
A sua armada mantém-se superior às demais com a Batalha de Trafalgar em 1805, impondo uma vez mais uma pesada derrota a um adversário. O domínio de novas colónias é constante nesta altura - Malaca, desde 1795, Ceilão, Trindade e Tobago, em 1802, Malta, Santa Lúcia e Maurícia, em 1815, depois da derrota napoleónica e do seu bloqueio continental.
Singapura é fundada por Thomas Raffles em 1819. No Canadá regista-se o avanço para oeste, abrindo novas frentes de colonização, o mesmo sucedendo na Índia, com a exploração do interior do Decão e de Assam, Bengala, etc.
O século XIX marca o auge do Império Colonial Britânico, cuja expansão económica e humana é favorecida pelo desenvolvimento do capitalismo financeiro e industrial, bem como pela pressão demográfica elevada.
Por outro lado, marca uma nova administração e gestão da realidade colonial. Exemplo disso é o governo directo da Coroa na Índia. Aí, porém, despoletará a primeira grande revolta contra o domínio colonial britânico: a revolta dos sipais, em 1858, que ditará o fim da Companhia das Índias Orientais. Em 1877, a rainha Vitória - num gesto de coesão face às autonomias ou aspirações mais radicais - proclama-se imperatriz da Índia, que compreendia um extenso território entre a fronteira irano-paquistanesa e a Birmânia e entre o Oceano Índico e o Tibete. Na China, estabelecem-se em Xangai. Na África, alimenta-se cada vez mais o sonho de construir um império inglês entre o Cairo, no Egipto, e a Cidade do Cabo, na África do Sul, o que é conseguido depois da Conferência de Berlim (1884-1885), que legitima a anexação de todos os territórios ao longo desse corredor africano (Egipto, Sudão, Quénia, Rodésia, Transvaal, etc.).
Neste último, entre 1899 e 1902, travará a primeira guerra do império, contra os bóers (descendentes de colonos holandeses estabelecidos desde o século XVII na África do Sul), que se tornarão autónomos em 1910 (União Sul-Africana).
Este conflito demonstra o desaparecimento gradual dos últimos obstáculos para a plena soberania das colónias desde o começo da segunda metade do século XIX. Nesse período, é dada autonomia às colónias de maioria de população europeia, como o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia e as regiões da África do Sul (Cabo, Orange, Natal e Transvaal), que ganham um estatuto de domínios (soberania quase total, mas leais à Coroa britânica), respectivamente, em 1867, 1901, 1907 e 1910. Aliás, já só dependiam da metrópole, até essa data, para assuntos externos e de defesa.
Estes domínios participarão ao lado da Inglaterra na Primeira Guerra Mundial, o que origina uma nova organização do império, cada vez mais diminuto devido à independência daqueles domínios de população maioritariamente europeia, embora associados à Inglaterra através da Commonwealth (Estatuto de Westminster, 1931). Irlanda, Canadá e África do Sul aceitam o Estatuto nessa data, fazendo-o mais tarde a Austrália em 1942 e a Nova Zelândia em 1947: perdem assim o vínculo ao Reino Unido, apesar de reconhecerem a soberania simbólica da Coroa britânica.
No resto do império - que o Egipto é a primeira colónia não-branca a abandonar -, de população basicamente autóctone, novas fórmulas de associação política e económica são adoptadas: na Índia, por exemplo, tenta-se aproximar a população da administração, embora com custos elevados. De facto, após a Segunda Guerra Mundial e com o despertar dos nacionalismos, Índia e Paquistão tornam-se independentes e a Irlanda passa a república.
As décadas seguintes serão o cenário histórico da desagregação do império, nomeadamente em África. Actualmente, depois da devolução de Hong Kong, em 1997, à China, o Império Colonial Britânico resume-se a Gibraltar, à Ilha de Man e às ilhas do Canal da Mancha, na Europa, o Território Britânico do Oceano Índico, Pitcairn e dependências no Pacífico, Ilhas Malvinas, Anguilla, Bermudas, Geórgia do Sul, as Ilhas Caimão, Turks e Caicos, Montserrat, Ilhas Virgens Britânicas e Santa Helena e dependências (Tristão da Cunha e Ascensão) no Atlântico.
IMPÉRIO FRANCÊS
Os reis franceses se negaram a aceitar a divisão do mundo entre a Espanha e Portugal, definida, em 1491, pelo Tratado de Tordesilhas. O rei Francisco I financiou as viagens de Jacques Cartier, que explorou o rio São Lourenço, no Canadá (1534-1543). Com as últimas missões de Champlain, o referido território converteu-se mais tarde na Nova França. No século XIV, a França possuía o Canadá, as ilhas Maurício e Reunião, no oceano Índico, e algumas feitorias na Índia. Após o Tratado de Paris, perdeu a Louisiana. O Império francês sofreu as conseqüências das Guerras Anglo-francesas, sobretudo no caso do Canadá e da Índia. Com Napoleão III, a França conquistou a Argélia e o Senegal e anexou a Nova Caledônia (1853) e a Cochinchina (1862-1867). A intervenção no México, em 1864, foi um enorme fracasso.
Francisco I foi rei da França entre 1515 e 1547. Patrocinou as viagens de exploração de Jacques Cartier aos territórios que passariam a constituir o Canadá.
Não obstante, a expansão colonial francesa concretizou-se após a derrota da França frente a Prússia, na guerra de 1870-1871. Em 1881, a França obrigou o rei de Túnis a aceitar um protetorado francês sobre seu território, devido em grande parte ao crescimento do interesse italiano por Túnis. No Marrocos, era questão de tempo para que os franceses impusessem seu predomínio econômico. Na Conferência de Algecíras (1906), o sul do Marrocos foi reconhecido como área de influência francesa e, em 1912, foi estabelecido o protetorado francês.
A África Equatorial foi explorada por Pierre Savorgnan de Brazza, entre 1875 e 1880, e, em 1910, os territórios de possessão francesa foram agrupados sob a denominação de Federação da África Equatorial Francesa. Algo parecido ocorreu na África Ocidental, onde, após a ocupação da Costa Marfim (1883), Guiné (1896), Benín (1892), Senegal e Chade uniram-se a para formar a Federação da África Ocidental, em 1895. Na Indochina, os franceses concentraram seus esforços em Toquim, lugar que queriam converter em zona de acesso para a China. Ali, em 1884, estabeleceram um protetorado e, em 1893, proclamou-se a União Indochina.
A França desenvolveu uma administração e uma cultura tentando estabelecer uma unidade entre as colônias, mas sem chegar a um acordo sobre a relação que estes territórios deveriam manter com a metrópole. A opinião dos partidos políticos franceses de esquerda, contrários ao colonialismo, permitiu o surgimento de uma opinião que exigia mudanças dentro do Império francês.
Com a Constituição de 1946, o Império francês passou a denominar-se União Francesa, o que exprimia a negação não só de independência, mas também de autogoverno.
A rejeição à União Francesa provocou várias guerras. A primeira ocorreu na Indochina. Em 1945, as forças de resistência indochinas, sob as ordens de Ho Chi Minh, proclamaram sua independência da França. Após a derrota de Dien Bien Phu, Pierre Mendès-France negociou os acordos de Genebra, que deram fim à presença francesa na Indochina.
Em novembro de 1954, começou a guerra da Argélia. Na França, vivia-se um clima de declínio e fracasso, que permitiu o retorno de Charles de Gaulle ao poder, sendo ele o negociador da independência da Argélia.
De Gaulle procurou garantir o controle sobre as colônias africanas e, para tanto, criou a Comunidade Francesa (1958). No entanto, os líderes africanos buscavam a independência e negaram-se a integrá-la. Como aconteceu com Túnis, em 1954, e com o Marrocos, em 1958, as colônias francesas da África Negra conquistaram a independência, na década de 1960.
O que ainda existe do antigo Império francês são a Guiana e as ilhas de Guadalupe, Martinica e Reunião.
UNIÃO IBÉRICA: RESTAURAÇÃO
A CRISE DINÁSTICA E A UNIÃO IBÉRICA
D. SebastiãoEm 1578, D. Sebastião morreu na batalha de Alcácer-Quibir, no norte de África. Portugal ficou, assim, sem rei, pois D. Sebastião era muito novo e ainda não tinha filhos, não havia herdeiros directos para a coroa portuguesa.
Assim, quem subiu ao trono foi o Cardeal D. Henrique, que era tio-avô de D. Sebastião. Mas só reinou durante dois anos porque nem todos estavam de acordo com ele como novo rei.
Os portugueses acabaram por revoltar-se contra esta situação e, no dia 1 de Dezembro de 1640, puseram fim ao reinado do rei espanhol num golpe palaciano (um golpe só para derrubar o rei e o seu governo).
Sabias que havia também defensores do rei espanhol em Portugal? Mas o povo não gostava disso porque o País não era governado com justiça e havia muitos problemas e ataques às províncias ultramarinas e, especialmente, ao Brasil.
Na altura, a Duquesa de Mântua era vice-rainha e Miguel de Vasconcelos era escrivão da Fazenda do Reino. Tinha imenso poder.
No dia 1 de Dezembro de 1640, os Restauradores mataram-no a tiro e foi defenestrado (atirado da janela abaixo) no Paço da Ribeira.
Filipe III abandonou o trono de Portugal e os portugueses escolheram D. João IV, duque de Bragança, como novo rei.
O dia 1 de Dezembro passou a ser comemorado todos os anos como o Dia da Restauração da Independência de Portugal, já que o trono voltou para um rei português.
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| Cardeal D. Henrique |
Mas atenção: estas coisas nunca são simples, houve muitos pretendentes e isto deu muita confusão...
Em 1580, nas Cortes de Tomar, Filipe II, rei de Espanha, foi escolhido como o novo rei de Portugal. A razão para a escolha foi simples: Filipe II era filho da infanta D. Isabel e também neto do rei português D. Manuel, por isso tinha direito ao trono.
Nesta altura, era frequente acontecerem casamentos entre pessoas das cortes de Portugal e Espanha, o que fazia com que houvesse espanhóis que pertenciam à família real portuguesa e portugueses que pertenciam à família real espanhola.
Durante 60 anos, viveu-se em Portugal um período que ficou conhecido na História como "Domínio Filipino". Depois do reinado de Filipe II (I de Portugal), veio a governação de Filipe III (II de Portugal) e Filipe IV (III de Portugal). Estes reis governavam Portugal e Espanha ao mesmo tempo, como um só país.
A RESTAURAÇÃOEm 1580, nas Cortes de Tomar, Filipe II, rei de Espanha, foi escolhido como o novo rei de Portugal. A razão para a escolha foi simples: Filipe II era filho da infanta D. Isabel e também neto do rei português D. Manuel, por isso tinha direito ao trono.
Nesta altura, era frequente acontecerem casamentos entre pessoas das cortes de Portugal e Espanha, o que fazia com que houvesse espanhóis que pertenciam à família real portuguesa e portugueses que pertenciam à família real espanhola.
Durante 60 anos, viveu-se em Portugal um período que ficou conhecido na História como "Domínio Filipino". Depois do reinado de Filipe II (I de Portugal), veio a governação de Filipe III (II de Portugal) e Filipe IV (III de Portugal). Estes reis governavam Portugal e Espanha ao mesmo tempo, como um só país.
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| D. João IV |
Sabias que havia também defensores do rei espanhol em Portugal? Mas o povo não gostava disso porque o País não era governado com justiça e havia muitos problemas e ataques às províncias ultramarinas e, especialmente, ao Brasil.
Na altura, a Duquesa de Mântua era vice-rainha e Miguel de Vasconcelos era escrivão da Fazenda do Reino. Tinha imenso poder.
No dia 1 de Dezembro de 1640, os Restauradores mataram-no a tiro e foi defenestrado (atirado da janela abaixo) no Paço da Ribeira.
Filipe III abandonou o trono de Portugal e os portugueses escolheram D. João IV, duque de Bragança, como novo rei.
O dia 1 de Dezembro passou a ser comemorado todos os anos como o Dia da Restauração da Independência de Portugal, já que o trono voltou para um rei português.
PIRATAS/CORSÁRIOS
Pirata/Corsário:
Francis Drake foi um dos piratas mais temidos do mundo, mas não gostava nada de ser chamado assim.
Para ele, os piratas eram homens sem lei nem rei, enquanto que ele.... era um cavaleiro da rainha! Aliás, ficou conhecido como «Sir» Francis Drake.
Francis Drake ficou conhecido por atacar as embarcações espanholas e portuguesas pelos mares de todo o mundo, sob a protecção da rainha Isabel I de Inglaterra (em guerra com a Espanha).
Chegou a tentar invadir a própria Espanha, destruindo centenas de navios e mandando por água abaixo os planos do rei Filipe II (que também era rei de Portugal na altura) de conquistar a Inglaterra!
Em 1577, começou uma famosa viagem à volta do mundo num barco de nome «Golden Hind» («corça dourada»). A viagem durou mais de três anos!
Durante a viagem à volta do mundo, o pirata ia saqueando os galeões (grandes barcos espanhóis) que se cruzavam no seu caminho. De volta à Inglaterra, em 1580, foi recebido com honras e nomeado cavaleiro.
Quando morreu, foi "enterrado" no mar com sua armadura de ouro e sua lendária espada. Será verdade? Será mentira?
Só ele sabe!
Mundo dos Piratas
Quando pensamos em piratas, imaginamos imediatamente alguém com uma pala num olho, uma perna de pau e uma bandeira negra. Mas também há outra coisa que nos vem à memória: um mundo de aventuras, navios cheios de riquezas, lutas em alto mar e um tesouro escondido numa ilha deserta!
Embora muito do que se conta não passe de lendas, uma coisa é verdade: os piratas existiram mesmo e tornaram-se bastante famosos durante o século XVI, depois da descoberta da América. É que os bandidos queriam ficar com o ouro e prata vindos do novo mundo em galeões espanhóis.
Sabias, que apesar de sempre terem existido piratas, o século XVI ficou conhecido como a Idade de Ouro da Pirataria? Mesmo assim, os piratas não desapareceram, continuam a existir no mar e em terra, mas sob formas totalmente diferentes.
Aliás, na altura existiam dois tipos de piratas. Havia os fora-da-lei, que roubavam todas as embarcações para ficarem com as suas riquezas, ou mesmo só para sobreviver. Depois havia os corsários, que eram pagos por um rei para roubar os navios dos países inimigos. Depois, dividiam o saque com o rei.
Sabias que os corsários chegaram a tornar-se heróis nos seus países de origem? Alguns chegaram mesmo a tornar-se nobres, como aconteceu com o famoso pirata inglês Sir Francis Drake.
Desta forma, se alguns decidiam ser piratas para enriquecer, outros faziam-no como a única maneira de sobreviver. Normalmente eram marinheiros desempregados, ou mesmo bandidos fugidos do seu país. Andavam sempre sujos e mal vestidos, além disso abusavam do rum!
Vida dos Piratas
Muitas vezes passavam fome a bordo dos navios e as doenças provocadas pela má alimentação e sujidade eram constantes. É que naquela época não havia frigoríficos, por isso a comida estragava-se muito depressa. Se o barco saísse da rota, não houvesse vento ou ficasse à deriva por alguns dias, os piratas acabavam a pão e água. Às vezes nem isso!
Sabes como é que os piratas assaltavam os navios? Tinham vários truques: um deles era mascararem-se de mulheres a precisarem de ser salvas, outra era usarem uma bandeira falsa no mastro.
Quando o navio a assaltar se aproximava, os piratas revelavam-se e faziam a abordagem ao navio, depois afundavam-no (ou trocavam de embarcação, se a nova fosse melhor). Para eles, este momento perigoso era o mais divertido de todas as viagens que faziam!
Outra maneira de se divertirem era a pregar partidas uns aos outros e, claro, a beber rum. Cada vez que o navio pirata atravessava a linha do Equador faziam uma grande festa e faziam praxes (partidas especiais de um grupo) aos piratas que nunca a tivessem passado.
O melhor esconderijo para os piratas era o mar das Caraíbas. Para além do tempo lá estar sempre quentinho, está coberto de ilhas desertas, que os piratas aproveitavam para se esconder das autoridades. Diz-se que é aí que escondiam os seus tesouros.
Como sabes, o sonho de todos os piratas era ficar rico. Mas sabias que muito poucos conseguiram essa proeza? É que mal juntavam algum dinheirinho gastavam tudo em bebida! Das lendas que se contam de tesouros escondidos, poucas devem ser verdadeiras...
Sabias que a bandeira dos piratas, negra com uma caveira e dois ossos (tíbias) cruzados, era conhecida como Jolly Roger? E sabias que também houve mulheres piratas como Mary Roberts e Anne Bonny?
Leis Piratas
Manter a ordem num navio cheio de bandidos era muito difícil, por isso existiam as leis piratas. Antes de embarcarem, juravam sobre a Bíblia respeitar as regras do capitão. E ai de quem quebrasse o trato!
É que para além de todos serem muito supersticiosos (não podiam desrespeitar uma jura sobre a Bíblia), os castigos eram muito duros.
Todos obedeciam ao capitão, que era quase sempre escolhido pelos marinheiros. A divisão dos saques era feita antes de partirem e o capitão, o mais corajoso de todos, ficava sempre com a melhor parte.
Sabias que os piratas andavam sempre à procura de outros navios? E o primeiro que gritasse "barco à vista!" ganhava 100 moedas de ouro!
Todos votavam quando uma decisão importante precisava ser tomada e estavam proibidas todas as lutas dentro do navio. Só podia haver duelos entre piratas em terra firme, porque todos faziam falta. Por outro lado, todos tinham que manter as armas sempre limpas e prontas para serem usadas.
Como dependiam todos uns dos outros, a traição era o pior crime entre os piratas. Quem enganasse os seus companheiros era abandonado numa ilha deserta apenas com um garrafão de água, uma arma e pouca pólvora.
Outras punições eram: ficar sem comida ou levar 100 chibatadas com o gato-de-nove-rabos (pedaço de pau com nove nós de corda amarrados na ponta). Mais dura, e quase sempre mortal, era a de serem amarrados a uma corda e arrastados roçando dentro de água por baixo do casco do navio, de uma ponta à outra.
Quem cometia uma falta punida com a morte devia "andar na prancha", que era uma prancha, como o nome diz, que obrigava o culpado, amarrado, a andar nela até saltar para a água. Claro que a ideia não era recolhê-lo e, normalmente, este castigo era feito em águas com tubarões...
Moda dos Piratas
Como deves calcular, nesse tempo os piratas não ligavam muito à roupa, mas todos gostavam de "parecer bem" à frente dos outros. Por isso usavam sempre roupa simples e confortável, bastante colorida e muitos anéis e brincos de ouro, para mostrar que estavam a ficar ricos.
Por seu turno, os capitães dos navios piratas "produziam-se" um bocadinho mais. Gostavam de usar os casacos de veludo e camisas de seda que roubavam.
Usavam também grandes chapéus para se protegerem do sol. Já os outros piratas usavam apenas um lenço colorido. Também há quem diga que o lenço servia para ensopar o suor (ou o sangue) quando havia lutas, de modo a que nada escorresse para os olhos e os atrapalhasse.
Apesar dos piratas não ligarem muito à roupa, os corsários não dispensavam os melhores cuidados. Como eram representantes do seu país achavam que deveriam usar roupas luxuosas e engomadas para se mostrarem.
Assim, estes ladrões oficiais do rei procuravam os melhores alfaiates e abusavam dos bordados, brilhos e rendas!
Francis Drake foi um dos piratas mais temidos do mundo, mas não gostava nada de ser chamado assim.
Para ele, os piratas eram homens sem lei nem rei, enquanto que ele.... era um cavaleiro da rainha! Aliás, ficou conhecido como «Sir» Francis Drake.
Francis Drake ficou conhecido por atacar as embarcações espanholas e portuguesas pelos mares de todo o mundo, sob a protecção da rainha Isabel I de Inglaterra (em guerra com a Espanha).
Chegou a tentar invadir a própria Espanha, destruindo centenas de navios e mandando por água abaixo os planos do rei Filipe II (que também era rei de Portugal na altura) de conquistar a Inglaterra!
Em 1577, começou uma famosa viagem à volta do mundo num barco de nome «Golden Hind» («corça dourada»). A viagem durou mais de três anos!
Durante a viagem à volta do mundo, o pirata ia saqueando os galeões (grandes barcos espanhóis) que se cruzavam no seu caminho. De volta à Inglaterra, em 1580, foi recebido com honras e nomeado cavaleiro.
Quando morreu, foi "enterrado" no mar com sua armadura de ouro e sua lendária espada. Será verdade? Será mentira?
Só ele sabe!
Mundo dos Piratas
Quando pensamos em piratas, imaginamos imediatamente alguém com uma pala num olho, uma perna de pau e uma bandeira negra. Mas também há outra coisa que nos vem à memória: um mundo de aventuras, navios cheios de riquezas, lutas em alto mar e um tesouro escondido numa ilha deserta!
Embora muito do que se conta não passe de lendas, uma coisa é verdade: os piratas existiram mesmo e tornaram-se bastante famosos durante o século XVI, depois da descoberta da América. É que os bandidos queriam ficar com o ouro e prata vindos do novo mundo em galeões espanhóis.
Sabias, que apesar de sempre terem existido piratas, o século XVI ficou conhecido como a Idade de Ouro da Pirataria? Mesmo assim, os piratas não desapareceram, continuam a existir no mar e em terra, mas sob formas totalmente diferentes.
Aliás, na altura existiam dois tipos de piratas. Havia os fora-da-lei, que roubavam todas as embarcações para ficarem com as suas riquezas, ou mesmo só para sobreviver. Depois havia os corsários, que eram pagos por um rei para roubar os navios dos países inimigos. Depois, dividiam o saque com o rei.
Sabias que os corsários chegaram a tornar-se heróis nos seus países de origem? Alguns chegaram mesmo a tornar-se nobres, como aconteceu com o famoso pirata inglês Sir Francis Drake.
Desta forma, se alguns decidiam ser piratas para enriquecer, outros faziam-no como a única maneira de sobreviver. Normalmente eram marinheiros desempregados, ou mesmo bandidos fugidos do seu país. Andavam sempre sujos e mal vestidos, além disso abusavam do rum!
Vida dos Piratas
Muitas vezes passavam fome a bordo dos navios e as doenças provocadas pela má alimentação e sujidade eram constantes. É que naquela época não havia frigoríficos, por isso a comida estragava-se muito depressa. Se o barco saísse da rota, não houvesse vento ou ficasse à deriva por alguns dias, os piratas acabavam a pão e água. Às vezes nem isso!
Sabes como é que os piratas assaltavam os navios? Tinham vários truques: um deles era mascararem-se de mulheres a precisarem de ser salvas, outra era usarem uma bandeira falsa no mastro.
Quando o navio a assaltar se aproximava, os piratas revelavam-se e faziam a abordagem ao navio, depois afundavam-no (ou trocavam de embarcação, se a nova fosse melhor). Para eles, este momento perigoso era o mais divertido de todas as viagens que faziam!
Outra maneira de se divertirem era a pregar partidas uns aos outros e, claro, a beber rum. Cada vez que o navio pirata atravessava a linha do Equador faziam uma grande festa e faziam praxes (partidas especiais de um grupo) aos piratas que nunca a tivessem passado.
O melhor esconderijo para os piratas era o mar das Caraíbas. Para além do tempo lá estar sempre quentinho, está coberto de ilhas desertas, que os piratas aproveitavam para se esconder das autoridades. Diz-se que é aí que escondiam os seus tesouros.
Como sabes, o sonho de todos os piratas era ficar rico. Mas sabias que muito poucos conseguiram essa proeza? É que mal juntavam algum dinheirinho gastavam tudo em bebida! Das lendas que se contam de tesouros escondidos, poucas devem ser verdadeiras...
Sabias que a bandeira dos piratas, negra com uma caveira e dois ossos (tíbias) cruzados, era conhecida como Jolly Roger? E sabias que também houve mulheres piratas como Mary Roberts e Anne Bonny?
Leis Piratas
Manter a ordem num navio cheio de bandidos era muito difícil, por isso existiam as leis piratas. Antes de embarcarem, juravam sobre a Bíblia respeitar as regras do capitão. E ai de quem quebrasse o trato!
É que para além de todos serem muito supersticiosos (não podiam desrespeitar uma jura sobre a Bíblia), os castigos eram muito duros.
Todos obedeciam ao capitão, que era quase sempre escolhido pelos marinheiros. A divisão dos saques era feita antes de partirem e o capitão, o mais corajoso de todos, ficava sempre com a melhor parte.
Sabias que os piratas andavam sempre à procura de outros navios? E o primeiro que gritasse "barco à vista!" ganhava 100 moedas de ouro!
Todos votavam quando uma decisão importante precisava ser tomada e estavam proibidas todas as lutas dentro do navio. Só podia haver duelos entre piratas em terra firme, porque todos faziam falta. Por outro lado, todos tinham que manter as armas sempre limpas e prontas para serem usadas.
Como dependiam todos uns dos outros, a traição era o pior crime entre os piratas. Quem enganasse os seus companheiros era abandonado numa ilha deserta apenas com um garrafão de água, uma arma e pouca pólvora.
Outras punições eram: ficar sem comida ou levar 100 chibatadas com o gato-de-nove-rabos (pedaço de pau com nove nós de corda amarrados na ponta). Mais dura, e quase sempre mortal, era a de serem amarrados a uma corda e arrastados roçando dentro de água por baixo do casco do navio, de uma ponta à outra.
Quem cometia uma falta punida com a morte devia "andar na prancha", que era uma prancha, como o nome diz, que obrigava o culpado, amarrado, a andar nela até saltar para a água. Claro que a ideia não era recolhê-lo e, normalmente, este castigo era feito em águas com tubarões...
Moda dos Piratas
Como deves calcular, nesse tempo os piratas não ligavam muito à roupa, mas todos gostavam de "parecer bem" à frente dos outros. Por isso usavam sempre roupa simples e confortável, bastante colorida e muitos anéis e brincos de ouro, para mostrar que estavam a ficar ricos.
Por seu turno, os capitães dos navios piratas "produziam-se" um bocadinho mais. Gostavam de usar os casacos de veludo e camisas de seda que roubavam.
Usavam também grandes chapéus para se protegerem do sol. Já os outros piratas usavam apenas um lenço colorido. Também há quem diga que o lenço servia para ensopar o suor (ou o sangue) quando havia lutas, de modo a que nada escorresse para os olhos e os atrapalhasse.
Apesar dos piratas não ligarem muito à roupa, os corsários não dispensavam os melhores cuidados. Como eram representantes do seu país achavam que deveriam usar roupas luxuosas e engomadas para se mostrarem.
Assim, estes ladrões oficiais do rei procuravam os melhores alfaiates e abusavam dos bordados, brilhos e rendas!
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